domingo, 21 de outubro de 2012


ITINERÁRIO – CENTRO HISTÓRICO DE GUIMARÃES

Saída do Centro de Camionagem de Guimarães

A Rua D. João I de ambiente escuro e a sombrio, a rua estreita e casas antigas com varandas de balaústres em madeira e várias tascas com portas vai-vém.  Aqui pode ser admirado o Padrão de D. João I, obra do século XVI, o cruzeiro é coberto por uma espécie de baldaquino renascença. Aqui existe o edifício da Ordem Terceira de S. Domingos, edifício do século XIX, cujos alicerces começaram a ser erigidos em 1836, sendo solenemente inaugurado em 1840. Em 1854, iniciou-se o Hospital dos Entrevados pertencente à mesma Ordem Terceira. O rei percorreu a pé  e descalço desde o Padrão até ao Largo da Oliveira oferecendo a nossa Senhora da Oliveira uma meada em ouro igual à dimensão do percurso percorrido em acção de graças pela vitória da Batalha de Aljubarrota.

LARGO do TOURAL considerado hoje o coração da cidade, era no século XVII um largo extramuros junto à principal porta da vila, onde se realizava a feira de gado bovino e outras de diversos produtos. Em 1791 a Câmara aforou o terreno junto à muralha para edificação de prédios. Na segunda metade do século é construído o Jardim Público, rodeado por um gradeamento de ferro, que abre em 1878. Para este espaço é enquadrado nova arquitectura de ferro: coreto, mictório, bancos e candeeiros. Com a implantação da República o Jardim Público é transferido para outro local, sendo então colocada no centro do Toural, remodelado, a estátua de D. Afonso Henriques. Alguns anos depois esta vai para o Parque do Castelo e é substituída por uma vistosa Fonte Artística. Actualmente está a ser remodelada a sua arquitectura.

 RUA de SANTO ANTONIO-

RUA dos PALHEIROS

IGREJA DA MISERICÓRDIA e CONVENTO de SANTO ANTÓNIO DOS CAPUCHOS - Antigo Hospital de Guimarães – Actualmente Serviços Continuados.                                                                             

 O CASTELO DE GUIMARÃES mandado construir por ordem da Condessa Mumadona Dias, ampliado pelo conde D. Henrique. É uma das mais importantes fortificações portuguesas composta por oito torres quadrangulares ao redor da torre de menagem, com 27 metros de altura, construída no tempo de D. Afonso Henriques. Da muralha restam apenas vestígios. No séc. XIII, alteram-se as muralhas e edificaram-se as torres. No séc. XV / XVI edificou-se o Paço do Alcaide. Conheceu cercos por leoneses e castelhanos e por lutas internas, combates e escaramuças. Em 1128, D. Afonso Henriques venceu as tropas da mãe na Batalha de S. Mamede.

IGREJA DE S.MIGUEL- séc. XIV, chamava-se de SANTA MARGARIDA, de dimensões reduzidas com nave e capela-mor. Tem duas arcas tumulares na parede. Sofreu obras de restauro. Falta-lhe o Hospital anexo, degradado no séc. XV. Foi sagrada em 1239. A tradição diz ter sido baptizado D. Afonso Henrique, nosso 1º. Rei de Portugal.

ESTÁTUA DE D. AFONSO HENRIQUES – (séc. XIX) Obra do escultor Soares dos Reis.

PALÁCIO DOS DUQUES DE BRAGANÇA construído no século XV por D. Afonso, filho bastardo de D. João I,com planta  de 1420-1422,depois do 2º. casamento, com D. Constança de Norinha o paço denota influências normandas nos telhados e chaminés cilíndricas em tijolo e na entrada em claustro. A capela com pórtico gótico ladeado com colunas de mármore e jaspe, vindas de Ceuta. Este foi abandonado no século XVI, em virtude da mudança dos duques de Bragança para Vila Viçosa, e restaurado já no século XX. O edifício tem hoje aposentos destinados a residência oficial do Presidente da República.

IGREJA DO CARMO com CONVENTO DO CARMO anexo, hoje Lar de Santa Estefânia – com portada barroca. Passo da VIA SACRA ( séc.  XVII ).

LARGO MARTINS SARMENTO onde funciona a UNAGUI, na casa onde viveu o arqueólogo Martins Sarmento.

RUA DE SANTA MARIA, assim chamada desde o séc. XIII, sendo uma das ruas mais antigas de Guimarães onde se podem ver elementos característicos das antigas casas da cidade com todas as características medievais; estreitas, com passeios exíguos ladeadas de casas rés - do -chão e dois pisos, mais estreitas que fundas e duas casas brasonadas do sec. XVIII. Esta rua ligava o convento fundado por Mumadona Dias ao Castelo de Guimarães. Hoje chama-se Travessa D. Aninhas Madrinha dos estudantes e existe ainda a Pastelaria das Trinas uma das mais antigas de Guimarães.)

O CONVENTO DE SANTA CLARA, (1553 ). Mandado construir pelo mestre- escola da Colegiada Cónego Baltazar de andrade. No séc. XVIII recebeu uma frontaria barroca do mestre vimaranense José Moreira (1741) A igreja está adaptada a uma utilização cultural e a estrutura conventual a fins administrativos. A talha da Igreja encontra-se no Museu Alberto Sampaio. No interior, pátio e claustro, com dois corpos. Funcionou como antigo Liceu Municipal de Guimarães e o primeiro andar como internato de rapazes. Actualmente é propriedade pública e o edifício destinado aos serviços da Câmara Municipal. Situa-se no Largo da Oliveira e Praça de São Tiago.

 

A CASA DO ARCO ou Casa dos Cavaleiros - Residência do fidalgo Fernão de Sousa, que hospedou o rei d. Manuel no regresso de uma peregrinação a Santiago de Compostela. Foi modificada (sec. XIX), com um pátio, e mantendo restaurado o arco passadiço processo medieval para ganhar espaço ligando  duas habitações fronteiras.

   

PRAÇA DE SANTIAGO segundo a lenda, uma imagem da Virgem Santa Maria foi trazida para Guimarães pelo apóstolo S. Tiago,ecolocada num Templo pagão num largo que passou a chamar-se Praça de Santiago. Praça bastante antiga, conserva ainda a traça medieval. Foi nas suas imediações que se instalaram os francos que vieram para Portugal em companhia do Conde D. Henrique. Aí estava situada uma pequena capela alpendrada do séc. XVII dedicada a Santiago que foi demolida em finais do sec.

A IGREJA NOSSA SENHORA DA OLIVEIRA possui um portal gótico com três arquivoltas assentes em seis colunelos e é dominada por uma torre românica quadrangular. O templo e o edifício monástico foram sofrendo alterações no decorrer dos séculos: o pórtico e frontão são góticos e o interior, manuelino, foi muito adulterado no século passado sob a direcção do pintor Roquemont. . A igreja foi edificada no local primitivo do Mosteiro de Mumadona, que elq dedicara ao Salvador do Mundo, à Virgem Maria e a todos os Apóstolos. Foi reedificada pelo Conde D. Henrique, quando da criação da Colegiada. A parte mais antiga está ligada às obras  realizadas pelo mestre pedreiro João Garcia de Toledo (1387) encomendadas por D. João I em  agradecimento da vitória da batalha de Aljubarrota (1385). Foi sagrada com a presença da família real, em 1401. Tem três naves e foi remodelada no séc. XIX, ao gosto do estilo neoclássico. A fachada apresenta um portal ogival, com três arquivoltas, apoiada em colunas e colunelos com capitéis e janelão entaipado.

LARGO DA OLIVEIRA- Era o centro da vila. Praça maior da vila, onde séc. XII, se reunia a genta,se tratava de negócios públicos do concelho, se comerciava e se realizavam manifestações religiosas. Situava-se aí a Camara, iniciada no séc. XV com janelas e sacadas, rematadas por frontões triangulares, com as armas do reino e esferas armilares, encimada por um guerreiro, com lança e escudo, tendo desenhada na armadura um segundo rosto com duas caras. Na base arcaria gótica. No muro uma inscrição alusiva à Imaculada Conceição, traduzindo a devoção de D. João IV (séc. XVII). O PADRÃO do SALADO ou PADRÃO da VITÓRIA, uma construção gótica do (séc. XIV) e comemora a Batalha do Salado em 1340. Também chamado Padrão de SANTA MARIA com um cruzeiro policromado, vindo da Normandia (1342). Tem numa face Cristo Crucificado e na outra a Virgem entronizada e em torno da coluna imagens de Santos, uma delas a imagem de S. Tiago. Foi oferta do Vimaranense mercador Pero Esteves. Em 1469, considerada, pelos Cónegos da colegiada o principal Centro de devoção a Santa Maria da Oliveira. Foi centro importante   do culto mariano, local, nacional e europeu e passagem de muitos peregrinos a caminho de Santiago de Compostela dizendo: “Quem for a Santiago e não visitar a Senhora da Oliveira não faz romaria verdadeira.”

RUA ALFREDO GUIMARÃES – No séc. XV era chamada de santa Maria até ao Postigo. Vê-se a uma ala do claustro da colegiada através de um portão de ferro, actualmente integrado no Museu Alberto Sampaio. À direita a Rua do Trespão, que comunicava com a rua nova do Muro.  Frente um cruzeiro com uma Pietá , da segunda metade do séc. XV. De costas está o ofertante e a vieira que representa Afonso Vieira. A LENDA DE AFONSO VIEIRA – Era um Senhor nobre, muito mau. A população escondia-se quando ele passava, não se descobria pelas injustiças que ele cometia. Então havia dito que, depois de falecer, todos deviam de se descobrir, reverenciando o seu rabo. Mandou esculpir a Pietá, com ele ajoelhado com o rabo voltado para o caminho. E o povo passou a cumprir  descobrindo-se para a Pietá e também para o rabo do Afonso Vieira.

LARGO DA REPUBLICA do BRASIL – A Igreja de SANTOS PASSOS ou de S. GUALTER, patrono da cidade. Podemos ainda ver a Torre da Alfândega, que para além dos muros a existência de muitas casas tem a inscrição “ AQUI NASCEU PORTUGAL.”

A visita termina  no seguinte local:

POUSADA DE SANTA MARINHA

Na cidade de Guimarães, encontra-se a majestosa Pousada de Santa Marinha (Prémio Nacional de Arquitectura em 1985), restaurada do bonito Mosteiro dos Agostinhos do século XII. Fica perto do centro histórico da cidade (classificado como Património da Humanidade, pela UNESCO). O Parque da Penha, o Jardim do Mosteiro, os jardins e cantinhos interiores com fontes de granito, os ricos mosaicos de azulejos, os claustros e os múltiplos balcões e varandas com vistas para a cidade, assim como magníficos sabores de vinhos.

 

 

MAPA DE GUIMARÃES

 


 

CANTARINHA DAS PRENDAS

ou

DOS NAMORADOS   

  Em barro vermelho, polvilhada de mica branca com motivos arcaicos saídos das olarias de Guimarães.

 

Significado Emblemático

 

A Cantarinha maior significa a abundância perene que se deseja ao futuro casal, semeada de ilusões e esperanças rutilantes.

A Cantarinha menor, aquela que há-de encher a maior, despida de enfeites, significa a vida real, as incertezas do amanhã, o pão nosso de cada dia, as mil e uma coisas que fazem a felicidade do lar, encimada pelo emblema da família, pelo amor de mãe que tudo sacrifica ao bem estar da sua prole, enquanto o homem, ausente, labuta no amanho da terra que lhes dará o sustento.

 

Seu Uso

 

Quando um rapaz escolhia aquela que deveria ser a sua companheira fiel por toda a vida, e se dispunha a fazer o pedido oficial aos pais da «futura», primeiro oferecia à namorada uma Cantarinha das «Prendas».

 

Se esta era aceite, estava feito o pedido particular e desde essa altura ficavam «comprometidos», dependendo apenas do consentimento dos pais o se anunciar o «noivado». Uma vez dado o consentimento dos pais e tendo estes chegado a um acordo quanto ao «dote», a Cantarinha servia então para guardar as «prendas» que o noivo e os pais da noiva ofereciam.

 

As «prendas» eram de ouro, como cordões, tranceletes, corações, cruzes, borboletas, estrelas, arrecadas, relicários, etc., tudo de harmonia com os contratos e haveres dos contratantes.

Este uso há muito, já, que foi posto de parte. Hoje só resta a tradição.

 

 

LENÇO DOS NAMORADOS

 


 

 Desde sempre, os portugueses partiram: ou para ganhar o sustento noutro lugar, ou para a guerra, ou para embarcarem em navios na aventura da Expansão. Em casa ficavam as mulheres e as crianças. Mulheres sós, tristes, que trabalhavam a terra, fiavam o linho, amassavam o pão e iam vivendo de esperança. Ora, na hora da despedida, em certas regiões do norte de Portugal, era “obrigatório” a rapariga apaixonada oferecer um lenço ao namorado. Lenço bordado por ela, com uma quadra da sua autoria. Se bordava com erros ortográficos, isso era pormenor insignificante, o que contava - e conta - são os sentimentos.

 

Bordado de Guimarães

 

Os bordados são entre as artes, das mais nobres e dignas de apreço, o seu nome anda ligado à história das civilizações, sendo do maior interesse conhecer a sua origem e a história através dos tempos. Se os bordados eruditos criados pelos artistas e realizados por especialistas deslumbram pela beleza das suas combinações, complexidade das suas técnicas e perfeição, com que são executados, "os bordados populares encantam pela sua ingenuidade e graça espontânea."

O bordado de Guimarães, é a transposição dos bordados antigos de camisas e coletes para toalhas, lençóis e jogos de cama. É feito sobre linho grosso. Os motivos são sempre elementos da natureza: flores e grinaldas estilizadas. As cores deste bordado são: o vermelho, azul, branco, cinza e cru, as cores da natureza.

Realização: Maria da Conceição da Silva Alves Pinto.

Sem comentários:

Enviar um comentário